Dieta crua, nem pensar…

A utilização de dietas cruas é controversa, mas a procura por esse tipo de alimento pelos tutores é crescente. O uso deste tipo de dietas é comum por cães de trenó e cães de corrida da raça Greyhound há muitos anos, mas seu uso em animais de companhia só foi sugerido em 1993, quando Ian Billinghurst propôs as dietas BARF (biologically appropriate raw food, ou alimento cru biologicamente apropriado em tradução livre), uma dieta com carnes e ossos crus e vegetais. Desde então, diversas modalidades deste alimento surgiram, como a raw meaty bones (ossos com carnes cruas) e prey model (carnes, ossos e vísceras, podendo contar com presas inteiras).

Benefícios potenciais deste tipo de alimento incluem melhora na qualidade da pelagem e da pele, redução no volume de fezes e melhor limpeza de dentes por conta dos ossos. Estes benefícios, porém, ainda não foram comprovados cientificamente. Por outro lado, este tipo de dieta pode levar a riscos à saúde dos cães e gatos, além de trazerem riscos aos tutores. Um dos riscos é que a dieta seja deficiente em nutrientes se não for formulada e suplementada adequadamente, o que pode levar a doenças como o hiperparatireoidismo secundário nutricional. Além disso, diversos estudos observaram que o risco de contaminação bacteriana é maior neste tipo de dieta, causada por patógenos como Salmonella spp, Escherichia coli e Clostridium spp. Existem evidências de que, mesmo após o processo de congelamento, estes patógenos não são eliminados completamente do alimento. Caso animais ingiram alimento contaminado por estas bactérias, eles podem eliminar estes patógenos nas fezes mesmo quando não apresentarem sinais clínicos de doença e assim, contaminar o ambiente que habitam e consequentemente as pessoas que têm contato com estes animais.

Atualmente, considerando as evidências científicas, há mais risco envolvido no fornecimento de dietas cruas do que benefícios e, portanto, este tipo de alimento deve ser evitado. Caso tenha dúvidas sobre alimentação de cães e gatos, procure um médico-veterinário ou zootecnista com formação específica em nutrição de cães e gatos.

 

Autora: Vivian Pedrinelli

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Discussion

  1. Naíra

    Observo que a maioria dos profissionais acabam não sabendo informar aos tutores os benefícios e desvantagens desse tipo de alimentação, interferindo diretamente no resultado de tratamentos, ou na qualidade de vida de seus pacientes. Ótima matéria!

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