Antioxidante sintético: vilão ou mocinho?

Com o intuito de promover uma vida longa e saudável aos seus pets, tutores de cães e gatos vêm apresentando cada vez mais interesse em conhecer os alimentos disponíveis no mercado. Entretanto, devido à grande quantidade de informações disponíveis na internet e publicações de notícias falsas (fake news), interpretações errôneas são muito comuns. Entre os mais diversos temas, a inclusão de antioxidantes sintéticos em alimentos destinados a cães e gatos vem sendo questionada e o esclarecimento sobre o uso destes ingredientes torna-se importante.

Sabe-se que a gordura está entre os principais nutrientes que compõem a alimentação de cães e gatos e, apesar de apresentar grande importância na nutrição pet, é altamente suscetível ao processo de oxidação, que ocorre de forma espontânea e leva à degradação dos lipídeos do alimento com a liberação de compostos oxidativos. Estes compostos, por sua vez, provocam odores e sabores desagradáveis, alteração da textura e diminuição do tempo de prateleira, além de desestruturar lipídeos, vitaminas, minerais e aminoácidos, diminuindo a qualidade nutricional do alimento. Assim, o consumo do alimento torna-se inviável e, caso realizado, pode resultar em alterações clínicas e nutricionais.

Por isso, antioxidantes são adicionados na dieta com o intuito de inibir a degradação lipídica e evitar os danos causados pelos compostos oxidativos, mas nunca com o objetivo de mascarar falhas de processamento. Em geral, os mais utilizados na indústria pet food são os antioxidantes BHA e BHT. Existem estudos que sugerem que estes ingredientes apresentam potencial cancerígeno e tóxico em humanos e ratos, entretanto, é importante salientar que tais efeitos são alcançados quando consumidos em quantidades excessivas.

Segundo a regulamentação nacional descrita pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e internacional pela Food and Drug Administration (FDA)e Association of American Feed Control Officials (AAFCO), a adição de antioxidantes sintéticos como BHA e BHT em quantidades mínimas (até 150 mg/kg de cada), é considerada segura em alimentos destinados a cães e gatos.

Como alternativas aos antioxidantes sintéticos, algumas empresas optam por antioxidantes naturais. Porém, ainda existem controvérsias sobre sua eficácia na proteção contra processos oxidativos.

Dessa forma, podemos concluir que os antioxidantes são de extrema importância para produtos alimentícios na indústria pet food e, quando sintéticos, se adicionados nas quantidades permitidas pela legislação, garantem a qualidade do alimento e a saúde dos animais, protegendo-os contra danos oxidativos.
 

 

 

Autora: Roberta Bueno Ayres Rodrigues

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